Trilhares (de trilhas, caminhos, ruelas)
Decorei teu cheiro, tuas dobras, teus pés, tua bunda
Decorei tanta cousa, mas tanta cousa, que tudo que me versa são teus quadris
É de teu pescoço, teus lóbulos, tua boca rosada
Decorei cada palmo, cada vírgula, cada instante…
Mas ainda que decorados, ainda restam dúvidas, equações que ainda não se encaixam…
Incompreensível é o falo distante, a vulva pulsante noutro lugar
Incompreensível é a gota na ponta dos sexos, sem outras gotas para encharcar…
Incompreensível são teus gemidos longes dos meus, teus seios sem minhas mãos…
Teu desejo sem meu corpo… minha sede fora de teus copos.
Por isso que decorar, definitivamente, não é saber, ter, compreender.
Por isso que decorar só faz boa rima, mas é trepar que faz vibrar, pulsar, gozar, melar…
Incompreensível tua voz ainda sóbria, teus cabelos alinhados e nenhuma marca de chupão…
Incompreensível nossos desatinos ainda não consumidos, não bebidos, não fodidos.
E nos diversos sinônimos de compreender, defino nossos labirintos:
Decifrar, deduzir, digerir. Encerrar, entender, pegar. Agarrar, conter, englobar. E entender…
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Você está lendo “Trilhares (de trilhas, caminhos, ruelas),” uma entrada em Contos de Alcova Tenra
- Published:
- setembro 13, 2011 / 7:23 pm
- Categoria:
- Uncategorized, volúpia das palavras
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