“every breath you take”

 

Eram os primeiros passos. Na “danceteria” apertada começava a sessão de música lenta. Era a deixa para que meninos e meninas passassem a trocar olhares mais perversos e se arriscassem. Eram as músicas lentas que uniam os corpos. E no “dois pra lá e dois para cá” eram permitidos os primeiros beijos, na nuca, orelha, bochecha. E boca. Beijo de língua.

Aquela era a experiência sexual mais ativa de vários adolescentes. Naquelas danças eram permitidos os primeiros sonhos reais com corpos sem roupa. Eram os primeiros beijos que permitiam as primeiras “mãos bobas”, a mão na bunda, o roçar nos seios. Os seios durinhos de uma garota eram um gol de placa. A sensação era um nirvana absurdo.

Com sorte, acabada a dança, eram os cantos escuros da boate que podiam permitir coisas mais intensas. Quase sempre um desfile de beijos tórridos e promessas de cinema. Algumas vezes uma mão inteira sobre o seio dela. Inteira, sentindo por dentro do sutiã desarmado o mamilo durinho crescendo em sutilezas maravilhosas. Com muita sorte ela deixava escapar a mão sobre a calça. E o pau participava pelas primeiras vezes da festa. Duro. E depois, dolorido. Ela ainda não sabia muito o que fazer, mas se divertia com aquela coisa diferente, dura e que ao toque dela deixava ele zonzo.

E com a sorte de um ganhador de mega sena, no canto escuro, a mão podia deslizar para dentro da calcinha dela. Não há nada no mundo que se equipare a uma calcinha molhada, depois de beijos e mãos bobas. Ao sentir o pano úmido as sensações do corpo e da mente eram indescritíveis. E o convite para trilhar o caminho para dentro da calcinha, ultrapassando os pentelhos e chegando lá, no verdadeiro paraíso, era irrecusável, irrefreável. Os dedos deslizando para dentro de algo quente, úmido, generoso, tenro. Era comum que até o mais forte dos moicanos não aguentasse a experiência e o pinto tivesse ares de autonomia plena. Eram os primeiros gozares na calça, os primeiros constrangimentos de ejaculações precoces, precoces quase sempre pela intensidade e não pela pressa.

A buceta molhada dela, ainda que ele não soubesse que ali existiam muitos outros segredos, muitos outros caminhos, foi a primeira sílaba da alfabetização tão desejada. Ao chegar em casa, depois do bailinho, a punheta nunca mais foi a mesma. Ele sabia agora que ela era quente, deslizava, convidava e era deliciosamente molhada. E na outra matinê o mundo já era outro.

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