comercial de celular e de chuveiro elétrico

Quando tocou o celular, sete e meia da manhã, ele desconfiou que era alguma brincadeira. De bom gosto, mas improvável. A mensagem: “Sei que está trânsito. Mas que tal um café da manhã no meu hotel? Itaim.” Para quem não conhece o Itaim, em SP, para se chegar por lá no período da manhã só com reza. Brava. “Eu topo. Mas tenho reunião. Dez horas.” Deu corda para a brincadeira, esperando por alguma risada na resposta e algo do tipo, “semana que vêm estarei em SP”. E entrou no banho. Foi impossível não pensar na última vez, ela de costas, aquela bunda com pelinhos arrepiados e ele deslizando com o pau, pela bucetinha toda molhada, sem pressa e com estocadas leves. E certeiras. E foi uma masturbação bem convincente. Usou até o condicionador para a mão deslizar sobre o pau, na repetição de movimentos mais perfeita do universo.

A toalha presa na cintura. O olhar zombeteiro procurando o celular. “Desmarca a reunião.” Riu e pensou que se não fosse brincadeira iria ter mesmo que desmarcar a reunião. “Desmarco. Mas você vem para cá.”. Ele sabia que se ela estivesse em SP seria um truco aquela declaração. Alguma ansiedade. O pau ainda vermelho do primeiro encontro matinal, maldida água quente, dá um sorriso fácil. Mas se deixa levar pela inviabilidade e começa a procurar a gravata, as meias e qual a camisa.

“Vou. Mas só depois das dez.”. “Ok. Deixo a chave na portaria, tenho que ir ao mercado.”. Aquela brincadeira já tinha esquentado toda a manhã. Perdeu o controle dos nervos. Desmarcou a reunião, desarrumou a sala para impressionar. Deixou o branco na geladeira e avisou da reunião, em Guarulhos. E foi ao supermercado. Na verdade foi andar um pouco a pé, pensar nos detalhes, respirar um pouco do ar que não era movido por ela. E pela vontade de tê-la.

Dez e quinze. O coração na boca. O telefone quieto. O porteiro nada disse, tinham um pacto. O elevador. Será que ela estava ali? Deitada? Sem roupa? Teriam que conversar? Sobre o que? Sobre o nada? E aquele cheiro da pele dela, aquele odor de mulher, aquele perfume que não atrapalha o cheiro do sexo. Será que ele teria que disfarçar? Enfim, ela estava lá. Percebeu pela chave, na porta.

Estava em um transe quase hipnótico. Ouviu o barulho do chuveiro. A porta, aberta. Entrou na água, de roupa e tudo. O corpo dela exalava o cheiro que ele queria, os seios arrebitados e a mão dela calmamente abrindo o zíper da calça, dele. Os primeiros toques dela no corpo dele foram a procura do cacete, já duro, esperando, sorrindo. Arranhou as costas dele, arrancou a camiseta e virou de costas, abaixando um pouco o dorso, para o encaixe: “Me come. Preciso estar no aeroporto ao meio dia”. E trouxe as mãos dele para os seios dela e o apertou contra a parede do box. O único movimento possível era o dela, que ia e vinha, ia e vinha, ia… e vinha. “Semana próxima tenho reunião em SP. Um beijo.”.

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