Guardar Secretos…

 

Há certas vontades inconfessáveis. A dela, era a de ser prostituta por um dia. E numa dessas noites, na cama, depois de estripulias, contou para ele o secreto desejo. Ele riu, mas guardou a informação.

Nessas baladas em que o uísque é o melhor, e o pior, amigo, ficaram na pista. Entre olhares marotos e insinuações, o clima quente de janeiro ganhou ares de inferno. Entre toques sutis, e outros nem tanto. Eram indisfarçáveis a vontade, o desejo e o volume. Correram para um desses cantos escuros, onde quase tudo é permitido. A proibição básica é a de não serem pegos por algum chato, somente por olhares cúmplices e curiosos.

Ela usava um vestido longo, para a noite, preto. Já tinha tirado a calcinha numa dessas idas ao toalete. Naquele pega, mãos, boca, dedos, eles se tocaram. Ele, duro. Ela, molhada. Masturbaram-se, com toques leves. Este tipo de masturbação exige um controle rigoroso das ambições. O canto escuro já era pequeno para tais aspirações. Ainda assim, antes de irem, ela abriu a calça dele, colocou o pau para fora e numa discrição exemplar o colocou para dentro dela, fez uns três vai e vêm, colando o corpo dele contra a parede. Ao ouvido, disse: “Vamos, antes que você faça uma baita meleca”. E sorriu.

Foi no carro que ele aproveitou aquela informação secreta. Entre abraços fortes, mãos passeadoras e bocas sem medo, se lembrou da pequena praça próxima da casa dela. Uma praça escura, vazia, mas sem perigos. Parou o carro: “Desce… você não queria ser puta?”. Ela se assustou um pouco, mas reconheceu a idéia no olhar perseguidor que ele desferia. Desceu do carro.

O carro deu a volta na praça e foi parando junto àquela mulher de vestido curtíssimo, preto. Dava para ver o sexo sem roupa, a bolsa rodada como convite. “Oi… tem programa para esta noite?”. Num mastigar de chiclete vagabundo, respondeu: “Cinquenta, sem beijo. Cem com. Mais que isso, temos que conversar.”. “Entra no carro, quero o mais que isso.”.

O fato é que ela estava tão absurdamente molhada, e ele tão bombado, que bastaram sussuros, com ele já dentro dela, a nota de cem no console do carro, para explodirem. Em jatos, em gritos contidos, em movimentos contínuos.

O segredo é preservar a fonte, mas guardar o segredo, concluíram. Tomavam goles de água, no gargalo da garrafa úmida, ainda nus, na cozinha, manhã seguinte.

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