Missivas de Alcova e Registros de Corpo

Tudo é pudico demais lá fora. Mas deixe disso. Sabemos o quanto queremos, nos queremos. Aqui, você é inteiramente puta, devassa, suja, descarada. Eu? Eu sou teu brinquedo, teu jogo, teu libelo, teu cachorro. Fazemos aqui nosso território e de mais ninguém. Sim, talvez daquela tua amiga, que se ela topa eu vou até o inferno. Vendo a alma. Claro, você quer? Eu topo com ele também. Aqui é nossa casa, nossa alcova, nosso reino, nosso quarto de motel, nossa fantasia. A pergunta de sempre, porque peço lingeries mas você fica nua em poucos minutos, é porque basta um olhar para entender.

Tudo lá fora conspira contra. Moral, igreja, fé, canastras, hipócritas. Adoro teu pé. E sei que você adora minha bunda. Adora tocar nela, manipular, jogar. Gosto do teu rabo também. Sei que gosta de ser pega de quatro, no ato. Gosto, mas me importa mais que você grite, se solte, exale. Sim, exale. Teu cheiro de sexo é melhor que qualquer cobiça. Atiça, excita, lateja. Quando se há entrega, entendimento, pele, há vício, gozo, esperma, pêlo, foda. Sexo. Até a fadiga. Até que teu respirar se confunda com o pau, com a buceta, ereta, molhado. Não troco esta cama por qualquer outro suspiro.

Tudo que é regra é merda. Por isso aqui nós nos temos, nos fodemos, nos trançamos. Esta tua coxa podia me afogar, não ficaria nunca sem ar. Crava os dentes, aquele tapa, dá. Esfrega, toca, suga, chupa, lambe, entranha, arte, poema, lençol, gosma, fenda, cacete. Tudo aqui é isso, os corpos, o afago, a vontade. A luz acesa me deixa te ver todos os núcleos. Mas na luz apagada posso sentir todas tuas células. Assim a luz que trepe também, entre claro e escuro, entre dia e noite, entre sol e lua, entre falo e vulva.

Tudo é assim. Deixe para perguntar sobre o amanhã, sobre o tempo, a rua, a descarga, o preço da quitanda, tudo para depois. Tudo, absolutamente tudo. Agora vem cá, que este teu lábio me chama pelo nome, sobrenome, registro de nascença. Quero teu registro e te registrar, inteiramente dentro de você.

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