Das Linguagens do Corpo

Por causa daquele jeito dele, que não sei explicar, o mundo dava voltas. Era olhar para ele e minhas pernas bambearem. Minha vulva, sim, gosto desse nome dela, pelo som que faz quando está na boca das gentes, ficava molhada, despudorada. Era aquele jeito dele, aquele olhar de tarado, mas sem pressa. Nunca ouvi um desaforo dele, embora já tivesse sonhado com isso umas três vezes, de pernas abertas. Era educado, mas me comia com os olhos. Comia? Devorava. Juro que as vezes parecia que ele salivava quando encontrava os meus braços despidos ou a tirar minha saia, com as pálpebras. Mas o que mais me enrijecia era que ele salivava sem pudores, mas com reservas. Como que quisesse que só eu soubesse daquele desejo. Como um sussuro…

 

E aquele calor, confesso, foi me acendendo. Era o jeito dele tomar água, aos goles fartos. Parecia naquilo me provocar. Na verdade, nos meus desatinos, era para matar a sede de me ter que ele sorvia aqueles goles, deslavadamente pornográficos. As vezes me olhava, piscava, fitava, mas sempre, absolutamente sempre, ele procurava algo para admirar. Eram os bicos dos seios, durinhos, entumecidos, apontando para ele. Fitava minhas orelhas procurando descer pelo pescoço. Era, definitivamente, com o olhar que ele me tinha: Nada podia ser mais sensual, sexy, desejoso, fome e sede. Confesso que minha buceta batia palmas para ele, febril. Ah… se ele soubesse o quanto eu estava encharcada, sequiosa, faminta.

 

O foda é que ele devia saber. Quando veio falar comigo, os lábios dele secos, os meus úmidos, me perguntou se tinha experimentado o patê de qualquer coisa. Dei trela, disse que estava uma delícia. “Posso confiar?”. Me consumiu os olhos, fulminou. “Você pode ao menos tentar”, respondi. Foi a senha para um bom papo sobre trabalho, praia, cinema, bicicleta, natação, pernas, corpo. Calor. “Seu vestido te deixa ainda mais bonita”. Cacete, disse isso com um sorriso tímido, de menino, parecia sem jeito depois de tanto me descobrir nas preliminares daquele jogo delicioso. Aquilo me deu um tesão absurdo, de subir paredes. Era eu quem comandava o jogo, dali em diante. Mas notei o olhar excitado dele ao ver meus pelinhos do braço ouriçados. Esses corpos sempre dizem mais sobre o que deve ser.

 

Sempre temo colocar tudo a perder nesse exato momento. Quando depende de mim, quando sou eu que tenho a chave: ir para casa, para o motel, para o banheiro da festa. Ou ser uma “lady”, comportada, recatada, dar o telefone e crer no príncipe encantado.

“Vamos embora daqui?”.

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