Jogos de cada um…

E foi um beijo que foi bom, trocado, gostado, tatuado. Demorado. Todos reconhecem que o beijo entre lábios e línguas é, sobretudo e antes de tudo, sexo.  E ele se lembrava era da cor, do formato, do ressecado daquela boca. Pensava nisso, eram aqueles lábios ressecados que o deixavam tarado, zonzo, maluco. Pois eram os lábios, um convite. E ela sabia. E jogava, daqueles jeitos de quem se atira, mas sempre com a timidez de menina, com os lábios tensos, esperando  simplesmente …

Ela gesticulava. E era capaz de desenhar o corpo dele, com os gestos, com a fala, com a matreirice. Olhar matreiro, zombateiro, persecutor. Dizia que gostava das mãos dele e era indisfarçável, cobiçava. E ele lá, sem saber muito o que fazer, mas querendo tirá-la dali. Mas fixava-se nos lábios… e no beijo. Nestas horas o mundo devia dar uma pausa. E tudo ao redor deveria sumir, desaparecer, perder o regramento, esquecer códigos e sutilezas. Naquele beijo os dois estavam, literalmente, trepando. O mundo? Que se danasse.

Ele tinha o lóbulo da orelha, dela. E ela, ela brincava com os bicos dos peitos dele, escondidos sobre a camisa. Era assim o jogo. Ela o amalucava. E ele a queria, mas também citava bobagens aos ouvidos, tecia poemas para os seios, a libído e os cheiros dela. E eram assim que continuavam, se tocando. Se entregando. Se masturbando. Um e outra. Uma e outro. Lábios e beijo.

Ela gostava, muito, de ter a conversa do sexo. Não a conversa das coisas jogadas, expostas, em fogo. Era a história bem contada, as partes levemente insinuadas, em brasa. A senha era aquela e ele não demorou: bilhetes, sussuros, pequenas imperfeições, pequenos gostos. Roubou-lhe um beijo, entre lábios ressecados. Ganhou a tez vermelha, ruborizada e molhada, docemente molhada.

Daqui, de onde eu os vejo, neste instante, o jogo segue… sem dramas, sem roupas enlouquecidas ao chão, mas tato e olfato, gosto e sabor, jeito e tempo… ele a vê nua e se delicia, cada palmo, cada toque, cada verso. E ela o rascunha, o improvisa, o elabora. Estão com os sexos prontos, se querendo, quase se tocando… Se eu pudesse escreveria para eles: Se comam, urgentemente. Mas se esta leveza continuar, que gozem feito loucos… vocês merecem.

 

 

 

 

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